Para imigrar para a Austrália via vistos de habilidade (skilled), existe um sistema de pontos chamado SkillSelect. Quanto mais pontos, maior a chance de ser convidado para aplicar para o visto. Este guia explica como funciona e como calcular seus pontos.

O que é o SkillSelect?

O SkillSelect é o sistema online onde você submete uma Expression of Interest (EOI) — uma declaração de interesse em migrar. A Austrália usa seus pontos para decidir quem convidar para aplicar para os vistos 189 (independente), 190 (estadual) e 491 (regional).

Dados e estatísticas das rodadas de convites

A Austrália divulga dados de todas as rodadas de convite do SkillSelect — quantos foram chamados, para qual visto e com quantos pontos. Consultar essas páginas é essencial para entender como está a competição e quais pontuações foram exigidas recentemente.

Onde ver os dados oficiais de convites

Rodadas atuais e recentes: immi.homeaffairs.gov.au — Invitation Rounds
Histórico de rodadas anteriores: immi.homeaffairs.gov.au — Previous Rounds
Relatório anual do programa 2024–25: Migration Program Report 2024–25 (PDF)
Estatísticas gerais de imigração: Administration of Immigration Programs — 15ª edição (PDF)

Nos dados das rodadas você encontra: quantas pessoas foram convidadas, os pontos mínimos aceitos por ocupação e visto, e a data de efeito dos EOIs chamados.
O que os dados recentes mostram

No ano fiscal 2024–25, o programa de imigração qualificada (Skill stream) entregou 132.148 vagas — 71,4% do total do programa. Foram emitidos 22.973 convites de visto 189 (Skilled Independent). A demanda continua alta: havia mais de 153.000 aplicações do Skill stream em processamento ao fim de junho de 2025.

Esses números mostram que há vagas — mas a competição é intensa. Verificar as rodadas recentes antes de decidir sua estratégia é fundamental.

Fonte: Migration Program Report 2024–25 — Department of Home Affairs

Tabela de pontos — versão 2025

Critério Condição Pontos
Idade18–24 anos25
25–32 anos (faixa ideal)30
33–39 anos25
40–44 anos15
45+ anos0
InglêsCompetente (IELTS 6.0)0
Proficiente (IELTS 7.0)10
Superior (IELTS 8.0+)20
Experiência na Austrália
⚠️ Deve ser na área de atuação compatível com sua ocupação declarada no EOI
1–2 anos5
3–4 anos10
5–7 anos15
8+ anos20
Experiência exterior3–4 anos5
5–7 anos10
8+ anos15
Qualificação australianaDiploma / graduação em AU5
PhD em área estratégica10
ParceiroCom qualificação e inglês proficiente10
Australiano(a) ou cidadão10
Nomeação estadual (190)Estado nomeia você+5
Nomeação regional (491)Estado/familiar em região+15

📌 Fonte: Department of Home Affairs — Points test · Sempre verifique os pontos atuais no site oficial, pois a tabela pode ser alterada pelo governo a qualquer momento.

Pontuação mínima por visto

Visto Pontuação mínima Pontuação real para ser convidado (estimativa 2025)
189 — Skilled Independent65 pontos85–90 pontos (altamente competitivo)
190 — Skilled Nominated (estadual)65 pontos70–80 pontos (varia por estado e ocupação)
491 — Skilled Work Regional65 pontos65–75 pontos (mais acessível)

📌 Fonte: SkillSelect — Invitation Rounds · Pontuações reais variam por rodada, ocupação e estado — consulte os dados mais recentes antes de agir.

Estratégia para quem tem 65–75 pontos

Com 65–75 pontos, o visto 491 (regional) é o caminho mais acessível — os +15 pontos por nomeação regional fazem muita diferença. Você mora em uma região designada por 3 anos e depois aplica para PR via visto 191. Cidades como Adelaide, Canberra, e muitas cidades de Queensland e South Australia se qualificam como regiões.

Como melhorar seus pontos

  • Inglês: cada ponto a mais no IELTS (de 7.0 para 8.0) vale +10 pontos no SkillSelect.
  • Experiência na Austrália: trabalhar legalmente na AU acumula pontos ao longo do tempo — mas apenas experiência na área de atuação compatível com sua ocupação declarada no EOI conta. Experiência em trabalhos fora da área (ex: hospitality enquanto você declara TI) não é computada.
  • Qualificação australiana: um curso de pós-graduação em AU pode valer +5 pontos.
  • Parceiro com qualificação: se seu cônjuge tem diploma e inglês proficiente, +10 pontos.
Verifique no site oficial
Para calcular seus pontos com precisão, use a ferramenta oficial do Departamento de Imigração australiano. Os pontos podem mudar — sempre confirme no site oficial antes de tomar qualquer decisão.

Exemplos de estratégia — estudantes e casais

A jornada para o PR é muito individual, mas alguns perfis se repetem entre brasileiros na Austrália. Abaixo, exemplos de caminhos possíveis — não são receitas prontas, mas pontos de partida para pensar a sua estratégia com um agente de migração.

Perfil 1 — Estudante que chega sozinho (sem parceiro)

Situação típica: 25–28 anos, visto estudante, cursando pós-graduação ou bacharelado na Austrália, inglês intermediário.

Pontos de partida estimados: 30 (idade) + 10 (inglês IELTS 7.0) = 40 pontos base. Faltam 25+ para ser competitivo.

Estratégia possível:
Qualificação australiana: completar o curso na Austrália vale +5 pontos. Se for PhD em área estratégica, +10.
Experiência na Austrália: trabalhar legalmente enquanto estuda e após formado acumula pontos (1–2 anos = +5 pts, 3–4 anos = +10).
Inglês: melhorar IELTS de 7.0 para 8.0 vale +10 pontos a um custo relativamente baixo.
491 regional: com ~70 pontos + 15 da nomeação regional = 85 totais. Cidades como Adelaide, Canberra e várias de Queensland se qualificam. Morar na região por 3 anos → PR via 191.

Linha do tempo realista: 4–6 anos do início do curso até o PR, dependendo da ocupação e inglês.
Perfil 2 — Casal que chega junto (ambos com qualificação)

Situação típica: casal, 27–33 anos, ambos com graduação, um com inglês mais forte que o outro.

Vantagem do casal no sistema de pontos: se um dos dois tem qualificação australiana ou overseas + inglês proficiente (IELTS 7.0+), o parceiro principal ganha +10 pontos pelo cônjuge qualificado.

Estratégia possível — quem pontua mais lidera o EOI:
• Identifique qual dos dois tem a ocupação com melhor CSOL e mais pontos — esse é o aplicante principal.
• O outro apoia: faz o IELTS para garantir o bônus de parceiro (+10 pts) e pode ter seu próprio EOI como backup.
• Se ambos se qualificam, um pode aplicar pelo 189 (independente) e o outro pelo 190 ou 491 — diversificando os caminhos.

Estratégia adicional — usar o estudo para liberar trabalho full-time ao parceiro principal:
Quando uma pessoa está matriculada em determinados cursos na Austrália, o cônjuge ou dependente pode ter direito a trabalhar sem restrição de horas — full time. O parceiro principal ganha liberdade total para trabalhar e acumular experiência australiana.

Os benefícios práticos:
• O parceiro principal trabalha full-time na sua área — acumulando experiência que conta para os pontos do SkillSelect.
• A presença contínua no mercado aumenta as chances de patrocínio via visto SID (482) — abrindo um segundo caminho para o PR em paralelo ao SkillSelect.

Importante: as condições de trabalho do dependente variam conforme o tipo e nível do curso. Verifique com um agente de migração (MARN) antes de tomar essa decisão.
Perfil 3 — Estudante que quer PR via empregador (caminho 482/SID)

Nem todo mundo vai chegar aos 65+ pontos necessários para o SkillSelect — e tudo bem. Há outro caminho relevante: o visto Skills in Demand (SID, antigo 482), que depende do empregador e não de pontos.

Caminho possível:
• Trabalhar na área de formação enquanto estuda ou logo após.
• Encontrar um empregador disposto a patrocinar o visto SID.
• Após 2–3 anos no SID, o empregador nomina para o visto 186 (Employer Nomination Scheme) → PR.

Para esse caminho, veja o artigo sobre Visto 482/SID para PR. Os dois caminhos (pontos e empregador) não são excludentes — é possível trabalhar em ambos simultaneamente.

📚 Fontes e Referências Oficiais

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