Vista da asa de um avião sobre um mar de nuvens durante o voo
Foto: Adrien Olichon / Pexels

Se você já pesquisou "visto para Austrália" e caiu em resultados falando de ETA ou eVisitor "grátis em 5 minutos", tem uma informação importante antes de seguir: isso não vale pra quase ninguém da América do Sul. Brasileiros e a maioria dos latino-americanos precisam de um visto diferente — pago, com aplicação mais formal — pra entrar na Austrália a turismo.

Este guia explica qual visto é o seu, quanto custa, quanto tempo você pode ficar, e como aplicar sem cair em site de terceiro cobrando taxa extra por um serviço que é gratuito de fazer sozinho.


Por que ETA e eVisitor não servem pra você

Existem dois vistos eletrônicos rápidos e baratos — e os dois são restritos a um grupo específico de passaportes:

  • eVisitor (subclass 651) — gratuito, só pra portadores de passaporte de países da União Europeia e alguns outros (Reino Unido, por exemplo).
  • ETA (subclass 601) — taxa baixa (em torno de AUD 20), só pra portadores de passaporte de um grupo restrito de países, como Estados Unidos, Canadá, Japão, Coreia do Sul e Singapura.

Nenhum país da América do Sul está nessas listas. Se o seu passaporte é brasileiro, ou de qualquer outro país sul-americano, esses dois vistos simplesmente não aparecem como opção pra você — não é um erro no site, é assim mesmo. O caminho correto é outro.

Não confie só na nossa palavra — confira você mesmo A lista oficial e atualizada de passaportes elegíveis pra cada um está direto no site do Home Affairs: página do ETA (subclass 601) e página do eVisitor (subclass 651). Procure a seção "who can apply" ou "eligible passports" em cada uma — nenhum país sul-americano aparece em nenhuma das duas. Não conseguimos citar o texto exato aqui porque o site do Home Affairs bloqueia cópia automatizada, mas o link leva direto à fonte primária.

Alguns sites cobram uma "taxa de processamento" pra preencher ETA/eVisitor em seu nome. Se o seu passaporte não é elegível pra nenhum dos dois, esses sites vão te vender algo que não existe pra você — desconfie de qualquer serviço que promete ETA/eVisitor pra passaporte brasileiro ou de outro país sul-americano.


O visto certo: Visitor visa (subclass 600), Tourist stream

O visto que se aplica a você é o Visitor visa, subclass 600, no stream Tourist. Diferente do ETA/eVisitor, ele está aberto a qualquer nacionalidade — o trade-off é um processo de aplicação mais completo e uma taxa mais alta.

eVisitor (651)ETA (601)Visitor visa Tourist (600)
Quem pode pedirPassaporte UE e alguns outrosEUA, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Singapura, entre outrosQualquer nacionalidade, incluindo Brasil e demais países sul-americanos
CustoGratuitoTaxa baixaTaxa mais alta (valor de referência abaixo)
ProcessoAutomático, poucos minutosRápido, onlineAplicação mais completa, com documentação
Estadia típicaAté 3 meses por entradaAté 3 meses por entradaNormalmente até 3 meses, podendo chegar a 12 em casos específicos

Quanto tempo você pode ficar

O período concedido varia caso a caso, mas a referência mais comum é até 3 meses por entrada. Estadias mais longas — até 12 meses — podem ser concedidas em situações específicas (por exemplo, pra visitar família por período prolongado), mas não é o padrão pra quem está indo só a passeio. O visto pode permitir múltiplas entradas dentro do período de validade, dependendo do que for concedido no seu caso.

Onde aplicar

Existem duas variantes do subclass 600 Tourist stream, dependendo de onde você está no momento da aplicação:

  • Fora da Austrália — o caminho normal pra quem está planejando a viagem do zero, ainda no país de origem.
  • Dentro da Austrália — só se você já estiver no país com outro visto válido (por exemplo, quer estender a estadia depois de entrar com outro tipo de visto).

Para a grande maioria dos viajantes latino-americanos planejando a primeira viagem, é a aplicação fora da Austrália que se aplica.


Quanto custa

O subclass 600 tem taxa de aplicação (não é gratuito como o eVisitor). A taxa de referência para aplicação feita fora da Austrália é de AUD 200 (reajustada de AUD 190 em 1º de abril de 2026) — mas esse valor muda periodicamente, geralmente uma vez por ano fiscal.

Não confie em valor de taxa retirado de blog ou agência — a tabela de preços muda e o único lugar confiável é a página oficial de "Current visa pricing" do Home Affairs (link na seção de fontes abaixo). Confirme o valor exato antes de pagar qualquer coisa.

O tempo de processamento também varia bastante — de poucas semanas a mais tempo, dependendo do volume de aplicações e da completude da sua documentação. A recomendação do próprio Home Affairs é aplicar com boa antecedência da data de viagem, não na última hora.


Documentos que você vai precisar

Passaporte válido
Com pelo menos 6 meses de validade a partir da data prevista de entrada na Austrália.
Comprovante financeiro
Extratos bancários recentes, carta do empregador ou holerites — provando que você tem como se sustentar durante a viagem.
Vínculo com o país de origem
Evidência de que você tem motivo pra voltar: emprego, família, propriedade. É isso que convence o avaliador de que a viagem é mesmo turismo, não uma tentativa de ficar.
Roteiro de viagem
Reserva de passagem e, se possível, hospedagem — não precisa ser definitivo, mas ajuda a mostrar que a viagem é real e planejada.
Foto e histórico de viagens anteriores
Foto no padrão exigido e, se você já viajou internacionalmente antes, isso conta a seu favor na avaliação.

Seguro-viagem não é documento obrigatório pra a maioria dos aplicantes do subclass 600, mas é fortemente recomendado — a Austrália não tem acordo de saúde recíproca com a maioria dos países sul-americanos, e atendimento médico particular ali é caro. Vale considerar antes de embarcar.


Como aplicar, na prática

A aplicação é feita online, pelo ImmiAccount — o portal oficial do Home Affairs. Você cria uma conta gratuita, preenche o formulário, anexa os documentos digitalizados e paga a taxa no próprio sistema. Não existe necessidade de intermediário pra esse processo — qualquer agência que cobre um valor alto "pra garantir aprovação" está vendendo conveniência, não acesso especial.


Erros comuns

Confundir ETA/eVisitor com o visto que você precisa. É o erro mais frequente — muita gente busca "visto Austrália" e o primeiro resultado é sobre ETA, sem perceber que não se aplica ao seu passaporte.

Aplicar em cima da hora. Como o tempo de processamento varia, deixar pra aplicar poucos dias antes do embarque é arriscado — o ideal é começar o processo com bastante antecedência.

Documentação financeira fraca. Extrato de conta com saldo baixo ou movimentação inconsistente é motivo comum de pedido de informação adicional, o que atrasa o processo.

Pagar por serviço de terceiro sem necessidade. O formulário oficial é feito sozinho, sem precisar de despachante — o dinheiro extra normalmente não compra nada além de preencher um formulário que você mesmo consegue preencher.